terça-feira, 5 de dezembro de 2017 0 comentários

Buraco negro

Quando você passa pela porta
E finge não me notar
Quando você entra em casa sem jeito 
Contando de um sujeito só pra me menosprezar

É quando tento não lembrar dos teus olhos em órbita 
De quando eu contava as suas constelações de sinais nas costas
Trazendo comigo um único desejo:
Nao acabar morta

Enlouquecendo a cada esquina que passo
Sentindo o cheiro do seu corpo
E o toque do seu abraço 
Que me tirava a lucidez e me fazia perder o compasso

Aprendendo cada vez mais sobre aquele buraco negro que você gritou
Frio, sem vida, cansado 
Carregado de monstros e ferimentos não cicatrizados

Com a sua voz cravada na minha cabeça 
Me contando sobre o quão isso era ruim 
Porque você era luz, aglomerado de galáxias 
E eu, aberrações cromáticas

Sou somente um monte de estrelas mortas
Alojadas como um mártir no meu coração 
Que vez ou outra ainda doem
Mas sempre eu digo que não.
quinta-feira, 17 de novembro de 2016 0 comentários

Dança comocional

Nas mãos que me carregam
Carrego um eterno fardo 
De me manter calma e convicta 
Escondendo todo o meu estrago

Meus ombros pesam por mim e pelos outros
Intrusos na minha inlucidez passional 
Tentando acompanhar os meus passos
Nessa minha dança comocional 

A cada passo
Uma nova ironia 
Semblantes que passam e disfarçam
Essa benfeitoria de agonia 

E todo esse complô 
Visto como paradoxal
Divide águas e impõe fronteiras
Nesse meu coração marginal.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016 0 comentários

Confim

Minh'alma carente de amor
Em partes padece por ti
Numa mistura ambígua de solidão
Com um pouco de frenesi

Desvairada me encontro em teu leito
Faço dele o meu alfim
Me deleito em palavras e promessas
Que tingem o meu coração carmesim

Trago duas ou três canções na cabeça
Na esperança de te trazer pra mim
Faço de ti a minha nobreza
Te elevo dois niveis em mim

Escorrego na minha paixão
E como um prego, me cravo em ti
Marcando o seu coração
E o fazendo o meu confim.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015 1 comentários

Curinga

Enquanto a vida me lança em abismos
E a solidão em mim faz morada
Desejo amargamente o calor dos seus braços
E as respostas das suas charadas

Quero o teu canto em minh'alma 
A tua intensidade em mim
Transbordar mares de você
Em oceanos sem fim

Me guie pelas curvas do seu corpo
Mostre cada pedaço desconhecido a mim
Sem pressa, sem avareza
Me envolva nos seus lençóis de cetim

Me pegue desprevenida 
Derrube as minhas defesas
Quebre os meus muros
E construa comigo novas fortalezas

Trace um futuro comigo
Fuja da realidade
Entrelace seus dedos nos meus
E me apresente essa estranha cidade

Ignore a minha bipolaridade 
Os meus traumas e a minha dureza
Só me leve contigo
Antes que eu desapareça.
terça-feira, 8 de setembro de 2015 0 comentários

Coração primata

Sou pássaro a voar
E a me perder no seu calor
Sou a noite fria a chegar
E a te envolver como um cobertor

Sou o desespero da partida
Sou a agonia da chegada
Sou aquela velha avenida
Que você sempre passa

Sou escritora a vagar em linhas tortas
Procurando novos contos
Procurando novas respostas
Em entrelinhas que um dia foram nossas

Perco-me em te ter
E nesse meu coração primata
Ainda há lembranças de você
E dessa palpitação precoce em te ver

Uma cratera findou-se em mim
Uma falha geológica no coração
Que se contorce com um só olhar
Ou um simples aperto de mão.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015 0 comentários

Nas finas linhas do meu tear.

Nas finas linhas do meu tear
Vou guardando memórias
Contando histórias
De dias que estão por vir

Nas finas linhas do meu tear
Enxergo novos caminhos
Elejo novos destinos
Mas caminho sempre sozinho

Nas finas linhas do meu tear
Vejo toda a minha angústia
Toda a dor que carrego no olhar

Nas finas linhas do meu tear
Carrego as dores de antigos amores
Carrego o peso de ser alguém 
E as consequências de ainda ser ninguém

Nas finas linhas do meu tear 
Espero por alguém que não vem
E como um antibiótico
A dor me mantém
Presa e refém
Nas finas linhas do meu tear.

domingo, 2 de agosto de 2015 2 comentários

Amor nocivo

Desencontros forçados
Rostos assustados
E no espelho do meu quarto
Ainda vejo você

Mais um gole de insanidade
Mais uma mentira pela verdade
E no silêncio do meu quarto
Ainda ouço você

Respirei sua dor
Tossi meus sentimentos
Fiz votos de amor
De loucura e tormento

Te dei abrigo nos meus lençóis
Te dei morada no meu âmago
Na agonia de um amor nocivo
E de arrepios estranhos

Cartas de amor sem remetente
Uma cartomante me traz você
Juras de amor tão descrentes
Que me lembram você

Nas pinturas rasgadas
Nos esboços descartados
E na parede do meu quarto
Não vejo mais você

Nos novos sonhos
Nas novas moradas
E nessa nova estrada
Não cabe mais você
sexta-feira, 24 de julho de 2015 0 comentários

Autofágico.



(Ilustração do Brenno do terra dos cegos)

Pessoas que não vivem
Garotas que não amam
Homens perdidos
Com mulheres nuas na cama

Órfãos de amor
Atenção e carinho
Crianças convictas
Do seu caminho

Guerras de opiniões, política e moral
Bombardeio de sentimentos
E sentenças carnais
Pessoas sofrendo com dramas banais

TV's ligadas em disritmia
Atores vendendo alegria
Comédias de um conto de terror
Um serial killer procurando um novo amor

Ladrões de corações e desatinos
Andando em vagões de trens, sozinhos
Seguindo estrelas apagadas
Esperando próximas paradas

Muros de concreto pichados com ideologias
Artistas anônimos buscando uma saída
Um novo traço pra treinar
Uma nova ideia pra compartilhar

Presos ajoelhados na sacristia
Pecados carnais estampados em jornais
Juras de amor não cumpridas
Em meio a "injúrias" bem vistas. 

terça-feira, 26 de maio de 2015 0 comentários

Algoz

Uma nova jura
Um novo julgamento 
Letras e acordes 
Carregados de sentimentos

Medos escondidos por baixo dos lençóis
Baús repletos de sentimentos 
Insônia se tornando um algoz
A madrugada virando tormento 

Fantasmas do passado
Destroem o meu futuro 
Bombardeio de sentimentos 
Enfraquecem meu muro

Uma caneta multicor 
Escreve o que já sei de cor:
Lembranças e momentos
Que viraram pó.
terça-feira, 12 de maio de 2015 0 comentários

Pilhas de poemas

Pilhas de poemas espalhados pela casa
Lençóis jogados na cama
Um vazio dentro de mim 
E o mundo lá fora me chama

Mais um novo amante
Menos 10 no meu saldo de amor
Só mais uma pessoa carente 
Esperando um novo (r)am(c)or

No canto da sala tem uma calça surrada
Tal qual o nosso amor
Sou a maçã estragada 
Que um dia você amou 

No espelho do quarto 
Vejo uma desconhecida 
Pouco familiar 
Muito atrevida 

Vejo coisas que já não existem mais 
Sinto coisas que não devo sentir 
Falo demais no meu altar particular 
Espero uma maré fechada pra poder transbordar e seguir
terça-feira, 5 de maio de 2015 0 comentários

Constelação infiel.

Uma bebida forte
Um disco pra ouvir
Um abismo entre eu e você
E a noite ainda vai cair

A saudade surge
Como as estrelas no céu
Numa constelação vejo seu sorriso
Travesso e infiel

A TV está ligada
Me fazendo companhia
A música me controla
Me tirando dessa disritmia

Alguém bate na minha porta
Mas não é você
É somente o zelador
Com a correspondencia que não quis receber

E a noite vai indo embora
A saudade foge pela porta
E eu fico aqui sem entender
Porque tem que ser assim quando penso em você?
quinta-feira, 30 de abril de 2015 0 comentários

Estradas tortas.

Andei em estradas tortas
Passei por altos e baixos
Vi de tudo um pouco:
Mortes, magia, abraços

Caminhei descalça em pedregulhos
Naveguei sozinha sobre o mar
Conheci algumas feras
Mas aprendi a domar

Já tentei ser alguém que não sou
E nunca me vi tão infeliz
Sei bem como sou e estou
E me orgulho das coisas que já fiz

Já amei atores, professores e ambulantes 
Já fiz muitos favores 
Dentre eles um pra mim:
Tornar a felicidade constante 

Certa vez tive um amor 
Que estacionou no tempo 
E de forma voraz e anormal
Se foi com o vento 

Já fiquei até tarde numa calçada
Com milhares de histórias pra contar 
Já toquei muito amor 
Com um violão em um patamar

Escorreguei em algumas escadas
Mas fingi que não houve nada
Sempre com um bom amigo do lado 
Tornando minhas certezas mais sensatas

Já jurei amores 
Já chorei num bar 
Naquela eterna despedida:
Rio Grande do Norte/Ceará

Pedi perdão por ir embora 
E deixei alguns amigos 
Mas sempre a saudade bate minha porta
E me pede abrigo.
sábado, 25 de abril de 2015 0 comentários

Pirata

Caminhando pela praia
Vendo o reflexo da lua no mar
Ouvindo o barulho das ondas
Vendo um barquinho navegar 

Meu barquinho naufragou há muito tempo
Destruiu a tripulação do meu coração 
Me afogou em solidão 
Por tempos me prendeu no meu relento 

Avistava terra à vista 
Mas já não tinha mais forças pra navegar
Então fiquei de telespectadora
Vendo minha oportunidade zarpar

Ancorei meu coração numa lasca de pedra
E antes que me arrependesse 
Tracei uma reta
Formulei um plano 
E me tornei uma colecionadora de corações e objetos estranhos.
quarta-feira, 22 de abril de 2015 0 comentários

Ego livre

Aprecio a liberdade
Gosto do cheiro da chuva
Sou viciada em pessoas sensíveis
Simpatizo com a loucura
Fiz de mim um mar de felicidade
Que vez ou outra transborda saudade

As vezes é difícil deixar o amor entrar
Mas pode ser pior forçá-lo a sair
Porque até um sentimento puro
Pode te machucar e te fazer cair

Ainda acredito nas pessoas
Ainda acredito no mundo
Faço o que posso, do meu modo
Pra tentar melhorar tudo
Espalho cartazes por aí com mensagens otimistas
Dou bom dia ao porteiro, sorrio pra vida

Tem dias que um furacão parece me dominar
E então fico difícil de lidar
Mas só pra não esquecer
A bondade ainda mora aqui
Então, sem "mais" e "porquês" só vem me redescobrir.
segunda-feira, 20 de abril de 2015 0 comentários

Poetizando

Esperando o segundo sol, esbarrei no oceano
E como uma onda no mar passei pra outro plano
Quando a voz do anjo sussurrou no meu ouvido
Eu me vi a dois passos do paraíso

E naquele céu azul
Vi olhos que me chupavam feito zoom
Olhos que viam além do horizonte piedosos sons de blues
Caminhando e jogando palavras ao vento
Meus documentos eu perdi
E pra não dizer que não falei das flores
Mil rosas roubei pra ti

Mas se por acaso eu chegar muito estranho
Me chame para discutirmos Caetano
Mas não me deixe sentar na poltrona no dia de domingo
E aquele abraço pra torcida do flamengo 

E nunca se esqueça, nem por um segundo
Que por trás dessas lentes também bate um coração
Que vive em uma metamorfose ambulante
Ora figurante, ora coadjuvante
Que leu 50 receitas na luz dos olhos de outro alguém
E que como Chico, fala de amor como ninguém.
terça-feira, 14 de abril de 2015 2 comentários

Dose de melancolia

Matando um dragão por dia
Tomando uma dose de melancolia 
Apostando meu coração 
Esperando uma nova ilusão 

Procurando um novo corpo pra usar
Uma nova alma pra me entregar
Um motivo, uma saudade
Qualquer coisa que desperte sentimentalidade 

Vendo a verdade nos olhos do cego
E na solidão encontrando afeto 
Uma vela pra acender 
Por todos aqueles que fingem (sobre)viver
0 comentários

Figuras da vida.

Ironia é alguém que não sabe amar morrer de amor, ou seria uma hipérbole? Acho que o amor é como o vento, tem tempos bons e ruins, mas aí já não seria comparação? Achava que tinha conhecido o amor tomando uma taça de vinho, mas na verdade era só uma metonímia. Encontrei suavidade no eufemismo. Vivi crises existenciais nos paradoxos da vida. Nasci, e cresci, e estou envelhecendo, aceito a gradação e ignoro o polissíndeto.
quarta-feira, 8 de abril de 2015 0 comentários

Boom.

Chegou o meu momento e eu explodi
Disse tudo que sentia
E esperei receber apoio mas não recebi
Fiquei chateada, furiosa e ainda mais confusa
Enfrentei todos sozinha e ainda continuo na luta
Já me acusaram de várias coisas:
Arrogante, mal criada
Esquecem que cresci e já consigo ver as coisas as claras
E eu só peço uma coisa:
Devolvam minha liberdade
Não me deixam mais me expressar
Porque estou sempre estou errada
Errada ou não, essa não é a questão
A questão é que eu não aguento mais levar sermão por ser quem eu sou
Sou explosiva, mas sou uma boa amiga
Sou desastrada e bagunçada
Mas só preciso de uma carona nessa estrada
Só espero que não tenham esquecido que tenho sentimentos
Que a "princesa do gelo" também sabe amar
Que a megera não domada, a louca registrada
Só quer ajuda, uma mãozinha
Pra poder mudar...
...e quem sabe, melhorar!
terça-feira, 7 de abril de 2015 0 comentários

De poema em poema.

De poema em poema
Te enchi o saco
De carta em carta
Me deves um abraço
De sonho em sonho
Perdi a meada
De dia e de noite
Procuro uma estrada.
terça-feira, 31 de março de 2015 0 comentários

Maldita saudade.

Até hoje espero aquela carta que você ficou de escrever
Até hoje eu berro de saudade de você
Ora garoto, porque fez eu me apegar se sabia que cedo ou tarde eu iria embora, trancaria a porta e não ia mais voltar?

Talvez, tenha sobrado em mim um resquício de sentimentalidade
Um pouquinho que se transformou em saudade
O meu coração me enganou
Me fez pensar que estava anestesiada
E me jogou nessa estrada sem proteção
E agora eu renego de novo o seu amor
Antes que essa maldita saudade se torne dor!
 
;