terça-feira, 5 de dezembro de 2017 0 comentários

Buraco negro

Quando você passa pela porta
E finge não me notar
Quando você entra em casa sem jeito 
Contando de um sujeito só pra me menosprezar

É quando tento não lembrar dos teus olhos em órbita 
De quando eu contava as suas constelações de sinais nas costas
Trazendo comigo um único desejo:
Nao acabar morta

Enlouquecendo a cada esquina que passo
Sentindo o cheiro do seu corpo
E o toque do seu abraço 
Que me tirava a lucidez e me fazia perder o compasso

Aprendendo cada vez mais sobre aquele buraco negro que você gritou
Frio, sem vida, cansado 
Carregado de monstros e ferimentos não cicatrizados

Com a sua voz cravada na minha cabeça 
Me contando sobre o quão isso era ruim 
Porque você era luz, aglomerado de galáxias 
E eu, aberrações cromáticas

Sou somente um monte de estrelas mortas
Alojadas como um mártir no meu coração 
Que vez ou outra ainda doem
Mas sempre eu digo que não.
 
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