segunda-feira, 31 de agosto de 2015 0 comentários

Nas finas linhas do meu tear.

Nas finas linhas do meu tear
Vou guardando memórias
Contando histórias
De dias que estão por vir

Nas finas linhas do meu tear
Enxergo novos caminhos
Elejo novos destinos
Mas caminho sempre sozinho

Nas finas linhas do meu tear
Vejo toda a minha angústia
Toda a dor que carrego no olhar

Nas finas linhas do meu tear
Carrego as dores de antigos amores
Carrego o peso de ser alguém 
E as consequências de ainda ser ninguém

Nas finas linhas do meu tear 
Espero por alguém que não vem
E como um antibiótico
A dor me mantém
Presa e refém
Nas finas linhas do meu tear.

domingo, 2 de agosto de 2015 2 comentários

Amor nocivo

Desencontros forçados
Rostos assustados
E no espelho do meu quarto
Ainda vejo você

Mais um gole de insanidade
Mais uma mentira pela verdade
E no silêncio do meu quarto
Ainda ouço você

Respirei sua dor
Tossi meus sentimentos
Fiz votos de amor
De loucura e tormento

Te dei abrigo nos meus lençóis
Te dei morada no meu âmago
Na agonia de um amor nocivo
E de arrepios estranhos

Cartas de amor sem remetente
Uma cartomante me traz você
Juras de amor tão descrentes
Que me lembram você

Nas pinturas rasgadas
Nos esboços descartados
E na parede do meu quarto
Não vejo mais você

Nos novos sonhos
Nas novas moradas
E nessa nova estrada
Não cabe mais você
sexta-feira, 24 de julho de 2015 0 comentários

Autofágico.



(Ilustração do Brenno do terra dos cegos)

Pessoas que não vivem
Garotas que não amam
Homens perdidos
Com mulheres nuas na cama

Órfãos de amor
Atenção e carinho
Crianças convictas
Do seu caminho

Guerras de opiniões, política e moral
Bombardeio de sentimentos
E sentenças carnais
Pessoas sofrendo com dramas banais

TV's ligadas em disritmia
Atores vendendo alegria
Comédias de um conto de terror
Um serial killer procurando um novo amor

Ladrões de corações e desatinos
Andando em vagões de trens, sozinhos
Seguindo estrelas apagadas
Esperando próximas paradas

Muros de concreto pichados com ideologias
Artistas anônimos buscando uma saída
Um novo traço pra treinar
Uma nova ideia pra compartilhar

Presos ajoelhados na sacristia
Pecados carnais estampados em jornais
Juras de amor não cumpridas
Em meio a "injúrias" bem vistas. 

terça-feira, 26 de maio de 2015 0 comentários

Algoz

Uma nova jura
Um novo julgamento 
Letras e acordes 
Carregados de sentimentos

Medos escondidos por baixo dos lençóis
Baús repletos de sentimentos 
Insônia se tornando um algoz
A madrugada virando tormento 

Fantasmas do passado
Destroem o meu futuro 
Bombardeio de sentimentos 
Enfraquecem meu muro

Uma caneta multicor 
Escreve o que já sei de cor:
Lembranças e momentos
Que viraram pó.
terça-feira, 12 de maio de 2015 0 comentários

Pilhas de poemas

Pilhas de poemas espalhados pela casa
Lençóis jogados na cama
Um vazio dentro de mim 
E o mundo lá fora me chama

Mais um novo amante
Menos 10 no meu saldo de amor
Só mais uma pessoa carente 
Esperando um novo (r)am(c)or

No canto da sala tem uma calça surrada
Tal qual o nosso amor
Sou a maçã estragada 
Que um dia você amou 

No espelho do quarto 
Vejo uma desconhecida 
Pouco familiar 
Muito atrevida 

Vejo coisas que já não existem mais 
Sinto coisas que não devo sentir 
Falo demais no meu altar particular 
Espero uma maré fechada pra poder transbordar e seguir
terça-feira, 5 de maio de 2015 0 comentários

Constelação infiel.

Uma bebida forte
Um disco pra ouvir
Um abismo entre eu e você
E a noite ainda vai cair

A saudade surge
Como as estrelas no céu
Numa constelação vejo seu sorriso
Travesso e infiel

A TV está ligada
Me fazendo companhia
A música me controla
Me tirando dessa disritmia

Alguém bate na minha porta
Mas não é você
É somente o zelador
Com a correspondencia que não quis receber

E a noite vai indo embora
A saudade foge pela porta
E eu fico aqui sem entender
Porque tem que ser assim quando penso em você?
quinta-feira, 30 de abril de 2015 0 comentários

Estradas tortas.

Andei em estradas tortas
Passei por altos e baixos
Vi de tudo um pouco:
Mortes, magia, abraços

Caminhei descalça em pedregulhos
Naveguei sozinha sobre o mar
Conheci algumas feras
Mas aprendi a domar

Já tentei ser alguém que não sou
E nunca me vi tão infeliz
Sei bem como sou e estou
E me orgulho das coisas que já fiz

Já amei atores, professores e ambulantes 
Já fiz muitos favores 
Dentre eles um pra mim:
Tornar a felicidade constante 

Certa vez tive um amor 
Que estacionou no tempo 
E de forma voraz e anormal
Se foi com o vento 

Já fiquei até tarde numa calçada
Com milhares de histórias pra contar 
Já toquei muito amor 
Com um violão em um patamar

Escorreguei em algumas escadas
Mas fingi que não houve nada
Sempre com um bom amigo do lado 
Tornando minhas certezas mais sensatas

Já jurei amores 
Já chorei num bar 
Naquela eterna despedida:
Rio Grande do Norte/Ceará

Pedi perdão por ir embora 
E deixei alguns amigos 
Mas sempre a saudade bate minha porta
E me pede abrigo.
 
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